Alexandrina
Maria da Costa
Vinde todos, colhei flores!
Podem vir
todos ao jardim que Eu cultivei,
para
colherem flores de virtude,
flores
de pureza,
flores
de graça,
flores
de caridade,
flores
de heroísmo,
flores
de toda a variedade.
Vinde
todos, colhei, são flores celestes!
Minha filha, jardim do Paraíso, em ti
semeio;
a ti vem o mundo colher flores de virtudes,
flores de amor.
Minha filha, tesouro escondido,
em ti se encerra a riqueza divina.
Palavras
de Jesus à Venerável Alexandrina
Um dos aspectos mais surpreendentes
na Venerável Alexandrina é a dimensão universal insistentemente atribuída à
sua mensagem. Tudo nela tem alcance mundial. Se acontece em Balasar, é para se
projectar no mundo.
Já em
22 de Novembro de 1937, quando ela era conhecida apenas um reduzidíssimo e
fechado círculo de familiares e amigos, Jesus lhe afirmava:
Eu quero que, logo após a tua
morte, a tua vida seja conhecida, e há-de o ser, farei que o seja. Chegará aos
confins do mundo (…)
Um dia, durante um êxtase da Paixão,
estava ela no chão sob o peso da cruz, dois homens tentaram levantá-la, mas não
conseguiram. Ela pesava mais ou menos 34 quilos. À pergunta do director
espiritual sobre quanto pesava a cruz que carregava, esclareceu que ela tinha um
«peso mundial».
A consagração ao Imaculado Coração
de Maria de que foi mensageira não foi a da Rússia ou de Portugal, nem a da
Cristandade, foi a do mundo. Isso está bem claro nas palavras de Jesus
proferidas em 29 de Maio de 1942:
Ave Maria, Mãe de Jesus!
Honra, glória e triunfo para o seu Imaculado Coração!
Ave, Maria, Mãe de Jesus, Mãe de todo o universo!
Quem não quererá pertencer à Mãe de Jesus, à
Senhora da Vitória?
O mundo vai ser consagrado todo ao seu Materno Coração!
Guarda, Virgem pura, guarda, Virgem Mãe, em teu
Coração Santíssimo, todos os filhos teus!
Veja-se o alcance universal atribuído
à sua vida e ao seu sofrimento redentor nestas espantosas frases:
Escreve
tudo, escreve, minha filha.
Se
o que te digo ficasse oculto, de nada valeria ao mundo.
Mãe
dos pecadores, nova redentora, salva-os, salva-os.
És
a nova redentora escolhida por Cristo.
1/12/44
Ou então nesta outra citação:
Vem
o Jardineiro divino ao seu jardim a ver as maravilhas que nele operou e o fruto
de tantas canseiras.
Vem
o Rei ao palácio da sua esposa, o Redentor divino à sua redentora, à nova
salvadora da humanidade.
As
minhas maravilhas em ti não ficam ocultas, não consinto no seu escondimento.
Hão-de
brilhar! São a minha glória; são salvação das almas.
Tudo
será conhecido, minha doutora das ciências
divinas, tudo será conhecido no livro da tua vida.
És
a heroína do amor, a heroína da dor, a heroína da reparação, a heroína dos
combates, a rainha dos heroísmos.
18-5-1945
São abundantes as afirmações
deste género, que são sempre altamente poéticas. Mas a que segue tem ainda
assim carácter excepcional. Quando o mundo se dilacerava numa guerra que
parecia não ter fim, ele era entregue, no dia da Imaculada Conceição, aos
cuidados da Alexandrina. Mais, ela era declarada sua rainha, «rainha do mundo»:
Tu
és a segunda arca de Noé.
Em
ti guardo os pecadores;
em
ti, como nessa arca, guardo tudo para a vida do novo mundo.
A
tua dor, a tua imolação é dor e humilhação de vida mais para as almas que
para os corpos.
Coragem,
filhinha! Nada temas.
A
chuva que sobre a nova arca cai não é de condenação, é de salvação:
é
chuva de humilhações, desprezos e sacrifícios.
A
arca não está em perigo: navega nas alturas.
Uma
vez que baixem as águas da perseguição, verá o mundo a riqueza que continha,
que era de salvação.
Filhinha,
amada querida, Eu não estou sozinho, está comigo a minha bendita Mãe; escuta
o que ela te diz.
Jesus
à esquerda, a Mãezinha, à direita, tomou-me para o seu regaço, apertou-me
fortemente contra o seu sacratíssimo Coração, cobriu-me de carícias e
disse-me:
—
Minha filha, venho com o meu divino Filho fazer-te a entrega da humanidade e
fechá-la em teu coração.
Ficam
as chaves na posse do teu Jesus e da tua querida Mãezinha.
Dei-te
o meu santíssimo manto e a minha coroa de rainha: foste coroada por mim.
És
rainha dos pecadores, és rainha do mundo, escolhida por Jesus e por Maria.
8-12-1944
Veja-se por fim esta breve «antologia
poética», onde a dimensão mundial que vimos a assinalar é sempre manifesta:
O meu peito arde, queima-me o coração:
que fogo ardente!
O edifício está sempre dentro de
mim: está em chamas e queima violentamente.
Sinto de novo que sobre este edifício
foi posta uma rocha mundial.
Eu bato-a, giro em torno dela, devo
sacudi-la.
As chamas do edifício ardem por
baixo e em redor.
O fogo não se apaga; a rocha em
todo o redor, aqui e ali, desfaz-se em bocados, como lenha.
Sinto resvalar os bocados da rocha.
Mas, meu Deus, com quanta fadiga! Há
tanto que fazer!
Este fogo não pode parar: a rocha
deve ser toda transformada, fundida no fogo divino. Queria ver só fogo: fogo
nos corpos, nos corações, nas almas. 17/4/45
Sinto em mim um fogo ardente;
queima-me em todos os sentidos:
Todo o meu corpo é uma fornalha.
Tenho sede de Jesus, tenho fome,
muita fome de almas.
Queria engolir o mundo.
Sinto-me sempre mais a sua mãe.
Que loucura a minha pelo mundo que
é engano, lama e imundície!
Sou mãe que chora a perda dos seus
filhos;
Sou mãe que não pode vê-los em
tanta desordem, em tanta miséria e atrocidade.
Sou mãe que chora lágrimas de
sangue que banham toda a humanidade.
Não posso resistir a tanta dor, não
posso conceder-me trégua:
Quero salvar o mundo, quero sofrer
tudo, quero-lhe dar a vida.
...
8/3/45
Desde
domingo sinto-me mãe da humanidade, mãe terna.
Contra
este amor vem ao mesmo tempo a dor: dor causada pelas desordens destes irmãos
que sinto serem meus filhos.
Queria
apresentar-me aos governantes de todas as nações para lhes pedir que se
reconciliem uns com os outros; mas queria uma reconciliação feita de perdão
duradouro,
Para
que não aconteçam mais as mesmas desordens.
O
desejo de fazer isto é às vezes tão grande que me parece voar até eles.
Para
obter esta paz, submeteria o meu corpo aos maiores suplícios e sacrifícios,
Mesmo
que devesse ser arrastada de nação em nação e fazer o que há de mais
custoso.
Queria
tomar nas minhas mãos o Coração de Jesus e dizer-lhes:
Vede
quanto está ferido! São os nossos pecados que o ferem assim!...
6/3/45
(excerto)
Ó Jesus,
eu quero que cada gotinha de chuva que cai do céu para a terra, toda a água
que o mundo encerra, oferecida às gotas, todas as areias do mar e tudo o que
o mar contém, sejam
actos de
amor para os vossos Sacrários.
Eu Vos
ofereço as folhas das árvores, todos os frutos que elas possam ter, as
florzinhas oferecidas pétala por pétala, todos os grãozinhos de sementes e
cereais que possa haver no mundo, e tudo o que contêm os jardins, campos,
prados e montes, ofereço tudo como
actos de
amor para os vossos Sacrários.
Ó Jesus,
eu Vos ofereço as penas das avezinhas, o gorjeio das mesmas, os pêlos e as
vozes de todos os animais, como
actos de
amor para os vossos Sacrários.
Ó Jesus,
eu Vos ofereço o dia e a noite, o calor e o frio, o vento, a neve, a lua, o
luar, o sol, a escuridão, as estrelas do firmamento, o meu dormir, o meu sonhar,
como
actos
de amor para os vossos Sacrários.
Ó
Jesus, eu Vos ofereço tudo o que o mundo encerra, todas as grandezas,
riquezas e tesouros do mundo, tudo quanto se passar em mim, tudo quanto tenho
costume de oferecer-Vos, tudo quanto se possa imaginar, como
actos de
amor para os vossos Sacrários.
Ó
Jesus, aceitai o Céu, a terra, o mar, tudo, tudo quanto neles se encerra, como
se esse tudo fosse meu e de tudo pudesse dispor e oferecer-Vos como
actos
de amor para os vossos Sacrários.